Teatro e Marionetas de Mandrágora

Teatro e Marionetas de Mandrágora

A Criação.

27 jan 2026 . terça-feira
“A Oliveira Milenar” pretende ser um espetáculo profundamente evocativo que explora o conflito entre a saudade da infância, a ameaça da perda e a inegável força do progresso. Neste quadro dramático, o amarelo da casa emerge da paisagem simbolizando a luz, mas enfrenta a sombra da mudança representada por monstros metálicos que destroem tudo a seu passo.
A história desenrola-se num universo em constante transformação, onde a natureza, a tradição e a intimidade familiar se confrontam com a voracidade do progresso. O espetáculo pretende ser um poema em movimento, com personagens que se enroscam em torno da Oliveira Milenar, que atua como testemunha silenciosa e imóvel de tempos e emoções passados. A presença desta figura ancestral serve de elo entre a vida que se reproduz e a que se apaga, questionando a permanência e a transitoriedade, a raiz e a cicatriz. Esta Oliveira representa aqueles que se foram — no caso desta família, a mãe, Maria.
A cada arranque de terra, a cada pedaço da natureza que desaparece, surge a reflexão: o que se perde, o que se ganha?
Pretendemos transportar o espetador para o coração de um conflito que, aparentemente, não tem saída. Ao longo da peça, a casa amarela torna-se um palco de sonho e pesadelo, de risos e de choros, de beijos e de gritos, onde a vida se desfia.
Esta criação pretende ser um poema visual e sonoro que se insinua na nossa consciência e que, com a força da poesia, nos deixa com um sabor a terra queimada e as cicatrizes do passado para as gerações futuras. Neste espetáculo, pretendemos olhar com respeito para as raízes que nos mantêm firmes.
A vida e a luta misturam-se, mostrando a fragilidade da nossa existência e a necessidade de resistir com coragem às forças que tentam destruir os nossos sonhos.

A Oliveira Milenar : https://marionetasmandragora.pt/oliveiramilenar

A Residência Artística.

26 jan 2026 . segunda-feira
O processo de uma residência artística é uma concentração de esforços sobre a criação. Um isolamento e uma convergência de lugares distintos, que aproximam os criativos, levam a um impulso fundamental para a estruturação dos alicerces, neste caso, “A Oliveira Milenar”, o novo espetáculo do Teatro e Marionetas de Mandrágora. Clara Ribeiro, diretora artística e intérprete desta obra, e Rúben Gomes, na conceção plástica, dão assim início ao projeto.
O tempo, algo que é reivindicado pela própria criação, exige para si um espaço. As criações são morosas; necessitam de espaço para se enraizarem e crescerem sólidas.

A Oliveira Milenar : https://marionetasmandragora.pt/oliveiramilenar

Residência Artística.

21 jan 2026 . quarta-feira
Estamos gratos ao Fossekleiva kultursenter og Berger Museum e Franzisca Aarflot produksjoner por acolher o processo de criação de A OLIVEIRA MILENAR. Este espaço e tempo de pesquisa, experimentação e escuta são fundamentais para o desenho desta criação que nos permitirá elevar o espetáculo a uma dimensão cultural mais profunda. É um privilégio ter este tempo para criar este universo e refletir sobre como o público irá habitá-lo.
A criação nasce aqui, no encontro entre o pensamento, o corpo e o espaço, num processo vivo que se constrói com tempo, atenção e presença.

A Oliveira Milenar : https://marionetasmandragora.pt/oliveiramilenar

Demos início.

12 jan 2026 . segunda-feira
Demos início à criação artística ‘A Oliveira Milenar’ num encontro que reuniu uma vasta equipa pluridisciplinar. Estiveram presentes criativos das áreas de direção artística e plástica, a escritora, os responsáveis pelo desenho de luz, música e construção de marionetas, além de intérpretes, manipuladores, figurinista, equipas de vídeo, fotografia, produção, logística e comunicação.
A partir do texto original 'Escavadoras', de Marta Pais Oliveira (obra vencedora do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís), a criação 'A Oliveira Milenar' nasce de um processo de aproximação emocional à cidade de Espinho. A estreia está marcada para maio de 2025, no Auditório de Espinho | Academia, integrando a programação do Mar~Marionetas - Festival Internacional de Marionetas de Espinho.
Numa terra onde uma casa se destrói — um lugar que poderia situar-se no Alentejo ou na Palestina — a dureza da palavra 'escavadoras' dá lugar à dimensão poética de 'A Oliveira Milenar'. O texto, nascido da escrita complexa de Marta Pais Oliveira, encontra na dramaturgia o alicerce para a criação artística que ocupa o palco. Aqui, a oliveira é o centro: um elemento cenográfico fundamental onde a palavra se transmuta em imagem e o tempo se espelha nas raízes da cenografia.
Esta dramaturgia reflete também uma viagem que atravessa a própria história da Companhia. A oliveira torna-se, assim, a alma de um lugar e de uma identidade; o símbolo de uma ou de muitas gentes.
Esta importante reunião, que juntou presencialmente os diversos universos criativos, marca assim um passo decisivo num projeto onde muitos dos artistas já desenvolveram trabalho marcado na dramaturgia e na planificação plástica.
A seguinte fase desta criação decorrerá ainda este mês na Noruega, com uma residência artística de várias semanas. Este momento, que contará com as direções artística e plástica, será o alicerce fundamental para a construção do espetáculo: uma viagem pela arte da marioneta onde as figuras se moldam plasticamente às exigências da narrativa.
Esta perspetiva que sempre se vai estruturando dentro da companhia, onde as marionetas, as técnicas, as opções artísticas se vão construindo e delineando sob a dramaturgia. A tentativa de colocar um texto em cena através das palavras, bem como através da linguagem visual e plástica, do objeto e do objeto em movimento como escolha fundamental da estética que tem sido sempre uma premissa do Teatro e Marionetas de Mandrágora.

A Oliveira Milenar : https://marionetasmandragora.pt/oliveiramilenar

Duas atrizes em palco.

12 jan 2026 . segunda-feira
Duas atrizes em palco, manipuladoras e marionetas, uma casa, uma árvore, raízes, personagens e objetos. A transformação, onde as palavras dão origem a objetos, que encerram em si dimensões poéticas, simbolismos. A estruturação de personagens que nascem das atrizes, mas que se partilham pelas mãos que as manipulam. O que vemos, quando vemos, o que vemos.
A narrativa do texto com uma ampla dimensão poética, metafórica, o que transporta alguém arrancado de um lugar. Momentos com diversas dimensões, onde o jogo de escalas é simbólico. O jogo das dimensões que nos permite fazer uma aproximação e um distanciamento proposto no mundo cénico e de estruturação criativa. Além das marionetas, a simbologia dos figurinos, de máscaras permite ao manipulador transpor diversas realidades.
Estes processos criativos convergem artistas que fazem parte da narrativa de um texto, que a dramaturgia transforma em linguagens convergentes, o tempo, a cor, a imagem, a figura, o som, a velocidade. Criar mundos que nos levam à ponderação, à análise, a uma viagem teatral que nos faz emergir num mundo que nos transporta para um processo sensorial cognitivo. Esta é uma experiência emocional, teatral, uma viagem, um processo cognitivo e estético.
As marionetas iniciam e terminam em distintas formas e dimensões, transpondo a imagem e a dimensão poética.
A linguagem deste espetáculo converge para uma opção criativa da direção artística, uma perfusão entre o relacionamento entre pessoas e entre dimensões sociais, onde não é de todo alheio uma profunda análise sobre o pensamento contemporâneo e a consciência da geopolítica do momento, à realidade social que nos circunda a um pensamento ativo e vincado pelo olhar sobre uma sociedade global que encontra conflitos e confrontos, evoluções que enfrentam dilemas de liberdade e de conflitos de uma sociedade disruptiva.

A Oliveira Milenar : https://marionetasmandragora.pt/oliveiramilenar

Arranca a programação da Casa Educativa da Marioneta.

6 jan 2026 . terça-feira
Este programa, que se irá desenvolver ao longo de 2026 com objetivos claros na área da mediação cultural, nasceu há diversos anos de uma parceria entre o Município de Gondomar e o Teatro e Marionetas de Mandrágora. O projeto visa a consolidação de um espaço de formação na área da marioneta com propósitos variados: pedagógicos, através da aprendizagem plástica e teatral; lúdicos, potenciando o jogo; artísticos, promovendo a exploração da manipulação e da construção; e sociais.
A iniciativa incentiva o trabalho coletivo e o ato familiar, promovendo a experiência artística conjunta e a criação de memórias no seio da família e do grupo, onde o pendor criativo se torna um eixo estrutural. Sendo um programa intergeracional, possui uma componente abrangente que se estende aos docentes: estes acorrem às formações em busca de novas ferramentas que possam auxiliar e enriquecer os seus próprios programas educativos.
Assim, no último sábado de cada mês, realizam-se as formações regulares. Ao longo do ano, somam-se ainda outras ações destinadas a adultos e profissionais das artes, que vêm complementar a base da programação que agora damos a conhecer.
Esperamos contar com a vossa companhia; a nossa está preparada!

Estejam sempre presentes!!!

1 jan 2026 . quinta-feira
Foi uma vertigem, uma grande equipa esta, já colocamos os nossos números de 2025 em análise. E calhou no nosso sapatinho o número 365, sim, 365 atividades realizadas, rimos do número, fizemos uma atividade por dia, todos os dias do ano, bom, não é bem assim, mas a associação é inevitável. Diz o gráfico que em 2025, visitamos 111 locais, 52 cidades, 17 distritos, participamos em 25 festivais e encontros nacionais e internacionais.
Foram 67580 espetadores, participantes, visitantes que estiveram presentes no nosso programa de cultura de 2025.
Destacamos os Festivais Mar~Marionetas, Festival Internacional de Marionetas em Espinho e o Ei! Encontro Internacional de Marionetas de Gondomar, a estreia de "à flor da pele", a colaboração na criação "Auto dos Zarolhos", o projeto comunidade e território "Bonecas de Constância", a criação comunitária Colecionadores de Memórias, Comdomínio e Margens, a apresentação pública do livro MARIONETAS - o acervo do Teatro e Marionetas de Mandrágora, a estreia da criação "O rapaz que morava à beira-mar", bem como o projeto comunitário desenvolvido em parceria com Braga 25, "semeada e os criadores de pássaros".
Foi um ano intenso de muito esforço e dedicação. A todos e todas Boas Festas.

A Criação

19 dez 2025 . sexta-feira
Clara Ribeiro, faz nascer das suas memórias afetivas e territoriais uma criação que a une ao espaço físico real e às gentes que ao longo da sua vida intervieram na sua forma sensível de entender o mundo.
Como linguagem teatral, aliam-se as figuras, os símbolos, as marionetas, os objetos, que ao longo de diversos meses se foram desenhando em estreito diálogo na cena.
A dramaturgia, a que alicerça esta narrativa emocional, reflexo de um lugar e de uma sociedade, é também, no diálogo com os diferenciados públicos a quem se dirige, um modo de deslindar desejos, realidade distintivas de um modo de vida.
O teatro de marionetas, nesta sua forma de colocar o impossível e o simbólico, a metáfora e o simbolismo em cena, vai desvendando uma história que parte do visual para o interior sensível de cada indivíduo, o seu desejo, o seu receio, a dimensão transcendente da realidade.
Neste espetáculo é apresentada a simbiose entre ator e marioneta, tendo a presença de música ao vivo, onde o músico caminha também na manipulação dos objetos físicos e sonoros que narram esta criação.
O valor de um rio na economia, no desenhar de uma paisagem, no moldar das vidas, na sua dimensão lendária, mas também no respeito pelo poder criador e destruidor da natureza.
Entre o homem e a lenda conhecemos um pescador, o seu barco, os seus filhos, o rio, a riqueza que o rio dá e o seu infortúnio.
E neste jogo se falam de homens que se moldam à paisagem assim como a paisagem se molda a eles mesmos, fazendo desta a matéria da qual nascem as lendas.

O pescador d'Ouro : https://marionetasmandragora.pt/pescadordouro

A criação artística.

9 out 2025 . quinta-feira
O espetáculo joga com o quadro e coloca a pintura em espaço de jogo teatral, onde a tridimensionalidade e a sonoridade permitem colocar as figuras em ação, em movimento, destacando-as da tela, jogando com toda a simbologia que a arte do teatro das figuras e a arte da pintura permitem. Esta criação é uma revisitação à obra, onde artistas olham para a obra de um artista e observam o que ficou capturado através do seu espólio, presente em diversos museus como a Galeria Julio e o Museu Nacional Soares do Reis.
Esta é também uma viagem pelos territórios, pela cidade natal de Vila do Conde e pela cidade de Évora onde tomou contacto com a olaria tradicional de Estremoz.
A criação artística que aqui explanamos através da obra de Julio, pretende refletir sobre o seu valor premente de influência e convergência artística de uma época, mas sobretudo uma visão sobre a sociedade através do olhar de uma tela que pondera não somente sobre o que se observa, mas sobretudo sobre aquilo que se sente.

à flor da pele : https://marionetasmandragora.pt/aflordapele
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