Teatro e Marionetas de Mandrágora

vinte e cinco de Abril de setenta e quatro

um poema de Nuno Higino, integrado na exposição "O 25 de Abril visto pelos poetas e artistas" com curadoria de António Oliveira

todos os públicos . 00h05
vinte e cinco de Abril de setenta e quatrovinte e cinco de Abril de setenta e quatro
Tenho treze anos, muitas árvores, e a primavera afogueada
a pender dos braços. Não sou eu que to digo, são os meus olhos
a apontar não sei para onde, um jardim talvez, flores e armas,
as flores a finar-se, as armas sempre vivas: as flores na mão,
as armas na ideia, ou ao contrário, não interessa. As lágrimas
a fugir do sangue, nenhuma tristeza, as ideias a murchar
no asfalto, nós a correr esquecidos delas. Eu não queria ter
treze anos, ninguém quer ter treze anos, olha-se para o lado
e não se vê ninguém, e no entanto armas e flores; o futuro
é muito tempo, filho, algum lugar há-de haver onde possas
guardar os treze anos, por exemplo em abril ao pé das flores
e das armas. Ninguém te pedirá nada, ninguém te dará nada,
o mundo não começa em lado nenhum mas deves percorrê-lo
até ao fim. Treze anos é tudo o que tens para a fome de Abril.
- Nuno Higino

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ficha artística

POEMA Nuno Higino
LEITURA Clara Ribeiro
VÍDEO enVide neFelibata
TEXTO DE APRESENTAÇÃO Filipa Mesquita
MOLDURA Migvel Tepes

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